O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é calculado mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e é o índice oficial usado pelo governo brasileiro para medir a inflação — a variação de preços de uma cesta ampla de bens e serviços consumidos pelas famílias.
Diferente de índices calculados por instituições privadas a partir de preços de atacado ou pesquisas de mercado, o IPCA nasce de uma pesquisa direta: agentes do IBGE coletam preços de milhares de produtos e serviços — alimentação, transporte, habitação, saúde, educação, vestuário, entre outros — em diversas regiões metropolitanas e cidades do país.
A metodologia do IPCA usa pesos diferentes para cada categoria de gasto, refletindo o quanto as famílias brasileiras efetivamente gastam em cada item, com base em pesquisas de orçamento familiar. Um aumento de 10% no preço da gasolina, por exemplo, tem impacto maior no índice final do que um aumento de 10% num item de peso pequeno na cesta, como um serviço específico pouco consumido.
A coleta ocorre ao longo de todo o mês de referência, abrangendo famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos — uma cobertura mais ampla que a de outros índices de inflação do país, o que reforça seu papel como medida "geral" do custo de vida.
O Conselho Monetário Nacional define, todos os anos, uma meta de inflação (com uma margem de tolerância) medida justamente pelo IPCA acumulado em 12 meses. É função do Banco Central, através das decisões de SELIC do COPOM, perseguir essa meta: quando o IPCA projetado foge do intervalo aceitável, os juros tendem a subir ou cair na tentativa de trazer a inflação de volta à trajetória desejada.
Por esse motivo, a divulgação mensal do IPCA é um dos dados econômicos mais acompanhados pelo mercado financeiro — ela influencia diretamente as expectativas sobre os próximos passos da política monetária.
O IBGE organiza os itens pesquisados em grandes grupos, como alimentação e bebidas, habitação, artigos de residência, vestuário, transportes, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação e comunicação. Cada grupo tem um peso diferente na composição final do índice, definido a partir de pesquisas periódicas sobre como as famílias brasileiras efetivamente distribuem seus gastos — motivo pelo qual esses pesos são revisados de tempos em tempos, para acompanhar mudanças nos hábitos de consumo da população.
Essa estrutura em grupos também é útil para entender de onde vem a inflação de um mês específico: é comum a imprensa destacar, por exemplo, que "a alta do IPCA no mês foi puxada pelo grupo de alimentação" ou "pela conta de energia elétrica dentro do grupo de habitação" — uma forma de decompor o número final e entender quais itens pesaram mais naquele período específico, em vez de tratar a inflação como um bloco único e indistinto.
IPCA é o nome do índice oficial que mede a inflação no Brasil. Quando o noticiário fala em "a inflação subiu X%", geralmente está se referindo à variação do IPCA em determinado período.
O IPCA é usado para reajustar uma ampla variedade de contratos, benefícios previdenciários específicos, e é a referência para investimentos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+.
O IPCA nacional é uma média ponderada de índices regionais coletados em diferentes áreas metropolitanas e cidades. A inflação local pode variar da média nacional dependendo da região e dos hábitos de consumo específicos.
O IPCA-15 é uma prévia do IPCA, com período de coleta antecipado em relação ao IPCA cheio, permitindo ao mercado ter uma primeira leitura da inflação do mês antes da divulgação oficial completa.
O Moeda Hoje exibe o IPCA mensal e o acumulado em 12 meses na página de Índices Econômicos, com dados oficiais do Banco Central/IBGE.
Porque analistas fazem projeções com base em modelos e em pesquisas próprias, mas o resultado oficial pode divergir se algum item específico da cesta (como alimentos ou combustíveis) tiver uma variação de preço fora do previsto naquele mês, alterando o resultado final além do estimado.
A pesquisa do IBGE cobre um conjunto de regiões metropolitanas e municípios espalhados pelo país, não apenas capitais, buscando representar de forma mais ampla o comportamento de preços vivido pela população brasileira.
Nenhum índice de preços é perfeito para todo mundo — o IPCA é uma média nacional ponderada, então o custo de vida de uma família específica pode subir mais ou menos que o índice, dependendo do que exatamente ela consome e de onde mora.